Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

UM BRINDE AO MAR

Imperdoável o meu esquecimento perante esta força que tanto me diz...

Este post é dedicado não só ao mar como à pessoa que me chamou a atenção para este dia.

Valeu a chamada de atenção :)

"Olhando o mar, sonho sem ter de quê

Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?

Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.

As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, 'star em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.

Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.

Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?"
                                    Fernando Pessoa
publicado por despertando às 15:12
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2 comentários:
De foreveryoung a 16 de Novembro de 2006 às 23:10
Gostei do poema!
E a foto está fabulosa!
Bjs
De sotavento a 17 de Novembro de 2006 às 01:17

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